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Desafios em águas abertas.

 

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    Alexandre Kirilos ainda era criança quando ouviu falar no Canal da Mancha pela primeira vez. Ele sobrevoava o continente europeu em uma viagem de avião e o pai lhe contou sobre a famosa tradição da travessia do braço de mar que separa a ilha da Grã-Bretanha do norte da França: atletas do mundo inteiro eram atraídos pelo desafio de atravessá-lo a nado.

    Maravilhado com a ideia, Kirilos prometeu não só voltar um dia, como também se lançar a aquela que já era considerada uma das mais emblemáticas rotas marítimas do mundo.

    Em setembro do ano passado, o educador físico de 47 anos, finalmente concluiu seu ousado sonho de menino. Partindo da cidade inglesa de Dover, nadou 34 quilômetros em 13 horas e 18 minutos em águas tão frias que chegavam a 15 graus.

    Treinos diários sempre às 4 horas da manhã e muita persistência foram elementos essenciais à execução da prova, que é considerada o “Everest da natação”. Impactado por intensas correntezas, o calor das águas-vivas e o frio do mar, o atleta da Academia Gustavo Borges persistiu o tempo todo, mesmo em meio às dificuldades. “Algumas vezes, o frio era tão grande que eu me jogava frente às águas-vivas para amenizar. Cheguei com muitas queimaduras”, conta.

    E se engana quem imagina que a conquista do ano passado fez com que o atleta resolvesse tirar férias dos desafios. Chegando ao Brasil, ele seguiu treinando para a travessia que concluirá daqui a poucos dias também na Europa: a Capri-Nápoles, na Itália, uma das mais importantes provas em águas abertas do planeta.

    Trata-se de uma competição criada em 1959 pelos amigos italianos Aldo Fioravanti e Cesare Alfieri e seu maior obstáculo é sua extensão. O atleta que ousa fazê-la precisa nadar, no mínimo, 36 quilômetros, extensão do trajeto. O prestígio da maratona é tanto que importantes atletas brasileiros, como Abilio Couto e Igor Souza já participaram dela, infelizmente, sem nunca terem conseguido liderá-la.

    Empolgado, Alexandre Kirilos aterrissou em solo italiano na semana passada e tentará mais este percurso, com a mesma coragem e sede de vitória do ano passado. Um verdadeiro orgulho para a Academia Gustavo Borges.

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